“Proibido deitar” é a frase que estampa a maioria dos bancos do Parque Municipal de Belo Horizonte, um dos principais espaços públicos de lazer e convivência da cidade. Tomando essa frase como provocação e ponto de partida, teve início, em junho de 2008, a criação do espetáculo.

Proibido deitar coloca em cena cinco corpos permanentemente cansados, mas não se sabe bem o que foi que os deixou assim. O fato é que, mesmo exaustos, eles criam artifícios para manter-se de pé e estão sempre prontos para o que está por vir.

Em um dos raros redutos de ócio e contemplação no centro nervoso da capital mineira, os performers contrapõem-se à maioria dos freqüentadores do parque. Por meio desse confronto poético, desse encontro imprevisível entre o espetáculo, o espaço e seus freqüentadores, a frase “Proibido deitar” acaba multiplicando-se e ganhando novos significados.

Sono e sonho, vigília e imaginação. E a dicotomia entre ócio e trabalho que norteou a primeira fase de criação se amplia em direção a uma nova pergunta: como ocupar o tempo que temos pela frente? Para tanto, foram convocadas inspirações surrealistas como o Manifesto de André Breton, o conto “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, e a obra poética do português José Gomes Ferreira. Qual seria o lugar da imaginação em meio a um cotidiano muitas vezes monótono e sem gosto de nada?

A apresentação cênica abre o olhar do espectador a cada espaço do parque, considerando suas nuances, reentrâncias e luzes, seus freqüentadores habituais, animais, territórios, sons e signos. Ao tratar esses elementos como cenário e possibilidade cênica concreta, integrada ao espetáculo, sugere-se uma nova relação entre o espectador e o parque, entre o espectador e a própria existência na cidade.

Proibido deitar é uma obra site-oriented, que incorpora ainda elementos performáticos e pós-dramáticos. Constitui-se como um produto artístico híbrido, influenciado por importantes tendências da arte contemporânea. Além disso, ocupa de modo não-convencional o espaço do Parque Municipal de Belo Horizonte, trazendo ao público e aos freqüentadores do parque uma experiência ao mesmo tempo crítica e bem humorada.

Clique aqui para ler uma crítica do jornalista Marcello Castilho Avellar sobre o espetáculo.

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